Saguis-da-serra-escuro obs. na natureza em Miracema


São 74 fotos do sagui-da-serra-escuro dispostas nas pranchas desta página, tiradas em 17 oportunidades: 08/09/12, 01/10/14, 07/12/14, 07/01/15, 28/05/15, 01/02/16, 20/05/16, 29/08/16, 30/03/17, 12/09/19, 02/05/21, 03/10/23, 28//04/24, 30/08/24, 01/10/24, 02/10/24 e 15/04/25.

Avistado por diversas vezes na APA Miracema, RVS da Ventania, Mata do Conde e arredores. Noticiários de jornais informam a presença do sagui-da-serra-escuro em outras partes de Miracema:

A seguir tem também foto (66) do sagui-da-serra-escuro sendo predado pela maior coruja do Brasil, Jacurutu (Bubo virginianus). Possivelmente, este registro possa ser de um novo item alimentar deste predador. Assim como tem, infelizmente, saguis híbridos (fotos 67, 68, 69 e 70 e 71) e sagui-da-serra-escuro aparentemente doente (fotos 72, 732 e 74).

Adaptação morfológica para a
 ingestão de exsudatos vegetais
Área de ocorrência do C. aurita
(SALVE-ICMBio)*
O sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita) é um pequeno primata da família Callitrichidae, endêmico da Mata Atlântica do Sudeste do Brasil. Restrito a área interligada entre Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, com a extensão de ocorrência da espécie de 183.859 km², segundo cálculo realizado pelo ICMBio (*).
Também chamado de sagui-caveirinha, possue entre 300 e 450g, tamanho aproximado do corpo de 20 cm e cauda com 31 cm (Reis et al., 2015). 
Tem a pelagem padrão no corpo que varia entre os tons preto e marron-escuro (quanto mais maduro for o C. aurita, maior a predominância de preto), cauda anelada de preto e branco-acinzentado em toda a sua extensão, tufos brancos/bege saindo das orelhas e, geralmente, faixa ruiva no topo da cabeça. A face é branca/bege, mas o nariz e entorno dos olhos são escuros, o que deu origem ao nome sagui-caveirinha. As mãos são castanhas-cinza e os pés castanhos, adaptados com garras (tegulae), exceto no dedão do pé (halux), assim como nos demais 
Garras, invés de unhas como
demais Primates
calitriquídeos.
Mais maduro, mais preto
Se alimenta de flores, frutos, fungos encontrados em bambu, sementes, invertebrados e exsudatos vegetais (gomas, seivas, látex), sendo especializado morfologicamente para se alimentar deste item (Ferrari; Corrêa; Coutinho, 1996). 
Em geral, o sagui-da-serra-escuro vive em grupos de 2 a 7 indivíduos (conforme observado em Miracema), com apenas uma fêmea dominante. Assim como o pai, os irmãos mais velhos também ajudam a mãe a cuidar dos mais novos (como na foto ao lado carregando-os), até que, adultos, formem novos pares e acompanhem outros grupos. 
Apresenta um sistema social complexo que geralmente é caracterizado pela monogamia. O período de gestação é de 5 meses. Geralmente nascem gêmeos (Stevenson & Rylands, 1988).
Corre risco de extinção, devido a uma redução populacional decorrente da perda e fragmentação de habitat e principalmente à competição e hibridação com espécies invasoras, que estão ampliando sua distribuição.
Ajuda aos mais novos
Estatísticas e observações na IUCN 2025-2, em 28/02/2026: a) População: 10.000 - 11.000 indivíduos maduros; b) Tendência Populacional: diminuindo; c) Duração da Geração: 6 anos; d) Altitude do Habitat: 80 a 1.375 m; e) Tipo do Habitat - Floresta: declíneo contínuo na área, extensão e/ou qualidade do habitat; e f) Categoria e Critério da Lista Vermelha da IUCN - e Avaliação: A2cde em perigo de extinção, versão 3.1, em 26/01/2015, publicado em 2021 (Onde A = diminuição no número de indivíduos; 2 = redução de mais de 50% ocorrida nos últimos 18 anos (3 gerações); c = declíneo na área/habitat; d = redução baseada em potenciais de exploração, e e = redução baseada na hibridização com espécies invasoras, patógenes, competidores ou parasitas).
Incluído na Lista dos 25 Primatas Mais Ameaçados do Mundo ("Primates in Peril: The World's 25 Most Endangered Primates").
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(*) SALVE - ICMBio, 17/11/2025 - Considerando para o cálculo a metodologia proposta pela IUCN 2022, a estimativa da Extensão de Ocorrência - EOO é de 183.859 km² (calculada por meio do Mínimo Polígono Convexo - MPC), enquanto a estimativa da Área de Ocupação - AOO é de 1.612 km².


Mammalia
01 Primates

1, 2,  3, 4 e 5
6, 7, 8 e 9
10 e 11
12, 13, 14, 15, 16 e 17
18, 19 e 20
21, 22, 23 e 24
25 e 26
27, 28, 29, 30, 31 e 32
33, 34 e 35
36, 37 e 38
01.01.01 Sagui-da-serra-escuro, Callithrix aurita (É. Geoffroy Saint Hilaire, 1812).  
1, 2, 3, 4, 5 e 6 - APA Miracema, 08/09/12;
7 - APA Miracema, 07/01/15. Jovenzinho;
8 - APA Miracema, 08/09/12;
9 - APA Miracema/RVS da Ventania, 01/10/24;
10 e 11 - APA Miracema/RVS da Ventania, 30/08/24;
12, 13, 14, 15, 16 e 17 - Mata do Conde, 03/10/23. Parece ser a fêmea dominante do grupo. Exemplar bem típico da espécie, pelagem bem escura e espessa. Estava em altitude baixa (a altitude média de Miracema é 137 m);
18, 19 e 20 - APA Miracema/RVS da Ventania, 01/10/24;
21 - APA Miracema, 08/09/12;
22 - APA Miracema/RVS da Ventania, 01/10/24;
23 - APA Miracema, 08/09/12;
24 - Mata do Conde, 12/09/19;
25 e 265 - RVS da Ventania, 28/05/15;
27, 28, 29, 30, 31, 32, 33, 34 e 35 - Conde, 02/10/24. Na fiação elétrica e árvore na entrada da ponte que dá acesso para dentro da fazenda do Conde; 
36 e 37 - APA Miracema/RVS da Ventania, 30/03/17. Filhote;
38 - APA Miracema, 07/01/15. Jovenzinho;

39, 40 41 e 42
43, 44 e 45
46, 47, 48, 49, 50 e 51
52, 53, 54, 55, 56, 57, 58, 59 e 60
61, 62, 63, 64 e 65
01.01.01 Sagui-da-serra-escuro, Callithrix aurita (É. Geoffroy Saint Hilaire, 1812).  
38 - Mata do Conde, 01/10/14;
39 - Mata do Conde, 20/05/16;
40 - APA Miracema, 08/09/12;
41 - APA Miracema/RVS da Ventania, 01/10/24;
42, 43 e 44 - APA Miracema/RVS da Ventania, 01/10/24. Jovenzinho;
45, 46, 47, 48, 49 e 50 - Mata do Conde, 13/04/25;
51, 52, 53, 54, 55, 56, 57, 58 e 59 - APA Miracema/RVS da Ventania, 28/04/24. Faziam parte de um grupo. A maioria de jovenzinhos, os das fotos 54 e 56 parecem ser gêmeos e a da foto 57 a fêmea dominante.
60 - APA Miracema, 07/12/14;
61 e 62 - Mata do Conde, 12/09/19. É o jovenzinho da foto 61 que está nas costas do da foto 62; e
63 e 64 - APA Miracema/RVS da Ventania, 29/08/16.

66
01.01.01 Sagui-da-serra-escuro, Callithrix aurita (É. Geoffroy Saint Hilaire, 1812), sendo predado pela maior coruja brasileira, Jacurutu (Bubo virginianus). Possivelmente, este registro possa ser de um novo item alimentar deste predador.
67, 68, 69, 70 e 71
01.01.01 Sagui-da-serra-escuro, Callithrix aurita (É. Geoffroy Saint Hilaire, 1812).  Em 01/02/16. Bando de saguis híbridos encontrado em um fragmento de mata em Miracemana (coordenada: 21º 23' 02'' S, 42º 13' 27'' W). Parece hibridação de C. aurita com C. penicillata.

A introdução pelo homem do sagui-de-tufos-brancos (Callithrix jacchus), ou do sagui-de-tufos-pretos (Callithrix penicillata), em uma das matas de Miracema tornou-se uma grande ameaça para a conservação do sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita), que vem a ser,a espécie nativa de primata que vive na nossa região. A associação entre essas espécies tem gerado mudanças comportamentais do C. aurita, que hibrida com os saguis exóticos o que faz sua população declinar mais ainda, pois nascem apenas híbridos e a população ameaçada não se renova.

A distribuição original do Callithrix jacchus é a região Nordeste do Brasil, acima do Rio São Francisco (Mata Atlântica nas áreas litorâneas e de brejos de altitudes, e Caatinga), e do Callithrix penicillata é no Cerrado brasileiro. Estes saguis são considerados espécies exóticas invasoras na nossa região, pois estão fora de sua área original. Por aqui, eles estabelecem população e afetam os animais e ecossistema nativos da região.

Dessa forma, Miracema necessita da ajuda de instituições ambientais nacionais ou estaduais para controlar as populações destes saguis exóticos, que vem a ser um dos motivos do C. aurita encontrar-se ameaçado de extinção segundo a IUCN 2023 e ICMBio 2018.

Obs.: os saguis híbridos são fáceis de capturar para esterilização porque foram acostumados com alimentos pelos frequentadores do clube onde o fragmento de mata está localizada.

72, 73 e 74
01.01.01 Sagui-da-serra-escuro, Callithrix aurita (É. Geoffroy Saint Hilaire, 1812).  
Foto tirada em 07/01/15 na APA Miracema, coordenada -21.333004, -42.159754. 
Aparentemente doente, com tumores na testa. Tal foto foi enviada para a FIOCRUZ através do aplicativo SISS-Geo (disponível em smartphones e na web, para o monitoramento da saúde dos animais silvestres em ambientes naturais, rurais e urbanos).



 

Um comentário:

Anônimo disse...

Aqui no parque ecológico , sempre observamos um grupo muito grande!