terça-feira, 31 de março de 2009

- História de Miracema - A Cema de Mira

A pesquisa a seguir baseia-se nas histórias de Miracema contadas por: Altivo Mendes Linhares (Memória de um líder da velha província, de Maurício Monteiro; transcrições autobiográficas”, Editora Damadá Ltda, 1986); Avelino Ferreira (Miracema: de Ermelinda à Emancipação - publicado no Jornal “Dois Estados”, em 15/05/2006); Departamento de Estatística e Publicidade/Serviço Técnico de Publicidade (Miracema – Memória da Fundação desse Município Fluminense, 1936); Frederico Siqueira Magalhães (O Alvorecer de Miracema - publicado no jornal “Página Um”); Heitor Bustamante (Sertões dos Puris – Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro, Niterói, 1971); Jofre Geraldo Salim (A História da Emancipação de Miracema - publicada no jornal “Página Um”); “Logradouros de Miracema” (Tia Ricarda/Mpmemória); Maurício Monteiro (O Assassinato de Firmo de Araújo - Gráfica e Editora Ltda, 1996), entre outras fontes de pesquisa.

Em 1832 a Vila de São Salvador dos Campos dos Goytacazes foi desmembrada da província do Espírito Santo e anexada à província do Rio de Janeiro e, em 1835, a Vila foi elevada à categoria de cidade. A partir desta época intensificou-se a ocupação de seu território. Em 1832 Plácido Antônio de Barros fundou a fazenda Paraíso em terras recebidas de seu tio José Ferreira Brandão, que as havia comprado por sete contos de réis, a noroeste do município de Campos, na época área da Freguesia de São Fidelles de Sigmaringa. Antes desta época não havia muito interesse de exploração dessa região, por ser distante da cidade de Campos e, também, por falta de incentivo do governo imperial, pois a mantendo preservada em mata virgem habitada pelos índios puris evitaria rotas de fuga do ouro extraído da província de Minas Gerais. População da Freguesia de São Fidelles em 1836: população livre - 1241; escravos - 2002[1].

Em meados da década de quarenta daquele século foi a vez de dona Ermelinda Rodrigues Pereira (1785 – 1855), viúva e acompanhada de cinco de seus filhos (Antônio, Maria Luiza, Luciana, Ana e Manoel), insta
lar-se na mesma região, depois de percorrer por vários dias a famosa "trilha dos puris", que foi se alargando com o uso contínuo das tropas de burro e carros de boi. Algumas  das fazendas fundadas por dona Ermelinda na região: Floresta, Água Limpa, Ubá, Serra, Morro Azul.

Depois de vender sua fazenda Mutuca, situada no Arraial dos Remédios, distrito de Barbacena/MG, dona Ermelinda pediu para seu primogênito Antônio, o "Mutuca", explorar uma área para comprar ou ocupar (terra devoluta). Conta-se que Antônio, depois de uma parada em Leopoldina (MG), recebeu orientação para se fixar na serra fluminense, no ribeirão Santo Antônio, próximo de Santo Antônio de Pádua, na divisa de Minas Gerais. Algum tempo depois, com uma parte da mata derrubada e abrigos provisórios construídos, Antônio foi buscar a mãe e alguns dos seus irmãos.

Dona Ermelinda mandou erigir na fazenda que se fixou uma capela para homenagear seu santo de devoção, Santo Antônio, e doou vinte e cinco alqueires para a construção do perímetro da Freguesia de Santo Antônio. Um dos esteios da Capela brotou, e, então, mudaram o nome do lugar para Santo Antônio dos Brotos. Dona Ermelinda acabou por ter uma grande desilusão, pois ela pretendia que seu filho mais novo, Manoel, que era seminarista em Mariana, viesse a ser o pároco da Capela, porém, Manoel apaixonou-se e fugiu com a namorada para se casar, abandonando a carreira eclesiástica.

Como Plácido Antônio e dona Ermelinda vieram muitos outros desbravadores para a mesma região explorar fazendas em terras compradas ou devolutas, vindos principalmente da província de Minas Gerais. Algumas dessas pessoas: Manuel Felisberto da Silva (fazenda da Cachoeira
da Laje); Anacleto Reveziano de Siqueira Alvim (fazenda São Pedro); Joaquim José Bastos (fazenda Tirol); Deodato e Reginaldo Mendes Linhares (fazendas Bonito, Córrego Raso e Cachoeira Bonita); Lucas Mendes Linhares (fazenda Pinheiro); Gabriel Alves Rodrigues (fazenda São Luis); Custódio Bernardino de Barros (fazenda São Luis); Francisco Bernardino de Barros (fazenda Santa Inês); Joaquim de Araújo Padilha (fazenda Recreio); e Marcelino Dias Tostes (1809/1864 - que casou com a filha de dona Ermelinda, Luciana, e adquiriu a fazenda Água Limpa). E os fazendeiros trouxeram com eles muitos escravos para trabalharem nas fazendas.

Maria Luiza, filha de dona Ermelinda, casou com Antônio de Araújo Barbosa e, mais tarde, adquiriram a fazenda Fortaleza, em Palma (MG) - dessa união nasceu o lendário Firmo Pereira de Araújo, único filho do casal. Ana, a outra filha de dona Ermelinda, casou com Marciano Dias Tostes (irmão de Marcelino) e foram morar em sua fazenda em São Fidelis.

Com a elevação do curato de Santo Antônio de Pádua à categoria de freguesia, em 1º de junho de 1843, as cit
adas fazendas fundadas na região passaram a fazer parte daquela Freguesia. E Manoel Felisberto Pereira da Silva (fazenda Cachoeira) desponta como líder político na região da Freguesia, onde foi subdelegado de polícia, juiz de paz e provedor de ordens religiosas. Como a maioria dos grandes fazendeiros daquela região, ele era conservador, monarquista, escravista e tinha patente da Guarda Nacional (tenente-coronel). Com a separação de São Fidelis do município de Campos, em 19 de abril de 1850, e assim que ficaram prontas as obras da casa da câmara e cadeia, em 5 de março de 1855, Manoel Felisberto foi eleito vereador na primeira composição da Câmara de São Fidélis, sendo o terceiro mais votado entre os sete vereadores eleitos. E Manoel Felisberto exerceu mandos políticos até sua morte, em 1872.

E Santo Antônio dos Brotos prosperou na agricultura, principalmente no cultivo de café, seguindo a tendênci
a dos demais municípios da província do Rio de Janeiro (no decêndio 1862/1871, a província do RJ foi responsável por 81% da produção de café do país), e tornou-se pólo atrativo de gente de outras regiões, principalmente Minas Gerais, e de imigrantes estrangeiros, notadamente italianos e libaneses. Em 1880 foi elevada à categoria de distrito de polícia e em 1881 à categoria de distrito de paz, sendo delimitada geograficamente. Em 1882 essa delimitação geográfica foi modificada com a inclusão em sua área das fazendas: Paraíso, de Júlio Leite Ribeiro; Floresta, de Pedro Henrique da Silva; e a fazenda do Capitão Franco.

E novos líderes político
s começaram a emergir na região, destacando-se os nomes de Francisco Procópio Alvim e Silva (filho de Manoel Felisberto – fazenda Cachoeira), José Carlos Moreira, Dr. Francisco Antônio Ferreira da Luz e Firmo Pereira de Araújo. Em 1882 Santo Antônio de Pádua separou-se de São Fidelis e sua categoria foi elevada de arraial para vila, levando consigo o distrito de Santo Antônio dos Brotos. Na primeira composição de vereadores do novo município foram indicados dois representantes de Sto. Antônio dos Brotos: Capitão Francisco Procópio de Alvim Silva e José Carlos Moreira.

Em 13 de abril de 1883, por proposição dos habitantes, o nome do distrito de Santo Antônio dos Brotos deveria ser mudado, devido a constantes extravios de correspondência para outra localidade de mesmo nome ou semelhante. Foi então proposto o nome Ybiracema – extraído do tupi-guarani (Ybira – pau; e cema – nascer, brotar). Na Câmara de Vereadores na sede do município (Pádua), o nome foi trocado para Miracema. Nome este também extraído do tupi-guarani (Mira – gente; e Cema – nascer, brotar) sugerido por Dr. Ferreira da Luz – de origem gaúcha, poeta, médico e respeitado político no município de Pádua.
 

Também em 1883, a Estrada de Ferro Santo Antônio de Pádua concluiu a ligação de Miracema a Pádua, que por sua vez já estava interligada a São Fidelis desde 1880, criando facilidade no escoamento da produção de café. O responsável pela organização da companhia ferroviária foi Joaquim de Araújo Padilha (fazenda Recreio), que era genro de Manoel Felisberto Pereira da Silva (fazenda Cachoeira). Antes da construção da ferrovia, a produção das fazendas era transportada em lombo de burros até a Vila de São Fidelis, onde de lá seguiam por via fluvial para os centros de comercialização do produto, São João da Barra e Campos dos Goytacazes.

Em 1885, Miracema foi elevada de distrito à categoria de freguesia, em votação na Câmara de Vereadores do Município de Santo Antônio de Pádua. 

As campanhas republicanas e da libertação dos escravos colocaram em campos opostos os até então hegemônicos líderes políticos da região. Em Miracema o poder era exercido pelo monarquista Francisco Procópio Alvim e Silva (fazenda Cachoeira) e tinha como correligionário José Carlos Moreira. Por outro lado, Ferreira da Luz, Joaquim de Araújo Padilha (fazenda Recreio) e seu genro Josino Antônio de Barros (fazenda Liberdade) fundaram um Clube Republicano.

Firmo de Araújo foi subdelegado de polícia (1877) e, posteriormente, juiz de paz, no então distrito de Santo Antônio dos Brotos. Logo após, foi indicado para compor o Colégio Eleitotal de São Fidelis, sede do município a qual pertencia aquele distrito. Em 1886 foi vereador no município de Santo Antônio de Pádua. Depois da proclamação da república (1889) passou a se interessar pelo Arraial do Capivara (São Francisco de Assis do Capivara), em Minas Gerais, de onde teve árdua atuação no episódio da reabertura da questão da fronteira entre as províncias do RJ e MG, entre outras causas em prol do Arraial. Em 1891 o Arraial foi elevado à categoria de vila independente e passou a ser denominado de Vila de Palma. Em 1900, Firmo de Araújo passou a ser seu intendente (se tornou presidente da Câmara de Vereadores), sendo reeleito sucessivamente, até que em 1912 foi assassinado, numa emboscada, pelo Grupo da Morte (executores por conta própria de bandidos, principalmente ladrões de cavalos, formado originalmente por pessoas de Itaperuna e chefiado por Manoel Laxe Gouvêa de Mendonça, que era de Lage do Muriaé) associado a político local rival de Firmo de Araújo (Cel. José Barbosa de Castro Júnior). A alegação dada para a morte de Firmo foi que ele acobertava bandidos em sua fazenda Floresta, em Miracema.

Havia entendimento na época, por parte de MG, por meio de interpretação do Decreto Imperial n° 297, de 19 de maio de 1842 (dispõe sobre as fronteiras provisórias entre as províncias de MG e RJ), que a fronteira das províncias deveria ser no ribeirão Santo Antônio. Sendo assim, a área do distrito de Santo Antônio dos Brotos do lado direito do ribeirão deveria pertencer ao Arraial do Capivara. Então, Firmo de Araújo pressionava os herdeiros de fazendas localizadas nesta área para fazerem o inventário do espólio no Arraial. Essa questão ressurgiu quando Sto. Antônio dos Brotos foi elevada à categoria de polícia, em 1880, e o conflito durou de 1882 a 1907 (http://arraialnovo.blogspot.com/2007/07/questo-dos-limites-segundo-o-relatrio.html ). A solução definitiva das fronteiras só veio ocorrer em 1944, quando foram promulgados os Decretos-Leis 1201, de 27/10/1944, pelo governo de MG, e 1260, de 10/11/1944, pelo governo do RJ. O Convênio de Limites foi homologado pelo presidente Getúlio Vargas, através do Decreto-Lei 7616, de 5/06/1945.

Dos italianos chegados à Miracema (119 famílias, cujos nomes estão na placa de bronze fixada na praça D'Itália
no bairro Vale do Cedro), a grande maioria no período 1870-1905, muitos foram trabalhar no meio rural. No perímetro urbano eles atuaram no ramo de serralharia, serraria, sapataria, barbearia, padaria, alfaiataria, transporte (carroça movida à tração animal), comércio, cinema, indústria (fábricas de sabão, massas, tecidos, olaria, usina de beneficiamento de café e arroz), relojoaria, construção civil, política, banca de jogo-de-bicho, etc.

E Miracema cresceu, tornou-se a povoação mais populosa, mais
desenvolvida e mais rica do município de Santo Antônio de Pádua (a única estatística disponível conseguida data de 1911: a arrecadação tributária no distrito de Miracema foi 7.700 contos de réis, enquanto que a da sede do município (Pádua) foi 7.480)[2].

Em 1888, Dom Pedro II criou o título de nobreza Barão de Miracema, por intermédio do Decreto Imperial de 19 de agosto, cinco anos após o nosso distrito se chamar Miracema (foi coincidência ou Dom Pedro se inspirou no nome do distrito de Miracema?). Porém, tal título foi concedido somente uma vez, pois logo no ano seguinte foi proclamada a república. Quem recebeu o título de Barão de Miracema foi o Dr. Lourenço Maria de Almeida Baptista, de Campos dos Goytacazes - médico, presidente da câmara de vereadores, juiz de paz, deputado federal e senador por três vezes
[3].
 
Em 1906, o italiano Francisco Bruno de Martino realizou seu sonho de fundar em Miracema uma fábrica de tecidos. Com a importação de nove teares movidos a vapor da Holanda e com a chegada de imigrantes italianos especializados em operar teares, a Fábrica de Tecidos São Martino começou a funcionar a todo vapor.

Também foi em
1906 que vemos o primeiro registro de clamor pela emancipação político-administrativo de Miracema. Melchíades Cardoso aos dezesseis anos de idade fundou o jornal “O Grupo” e começou a escrever sobre a emancipação de Miracema.

Em 1911, Salvador Ciúffo inaugurou o Cine São Salvador. Um ano antes foi inaugurado o Cine XV de Novembro - fundado pelo imigrante italiano Miguel Bruno de Martino. O operador dos cinemas foi o imigrante italiano Nicolau Trancredi e a energia elétrica era gerada pelas máquinas a vapor de beneficiar café e arroz dos donos dos cinemas. Entre os músicos que tocavam nos filmes mudos daqu
ela época, existia o duo que era formado pelo casal Paschoal Granato e Tita Ciuffo Granato, ele na flauta e ela no piano. Os cinemas naquela época eram muito importantes, por motivos que dispensam comentários. Mas num tempo que a ruas de Miracema eram iluminadas por lampiões, a luz que era gerada para o funcionamento do cinema iluminava também, com muitas lâmpadas, não só a frente do cinema, como boa parte da rua. Então, o povo se concentrava à noite na frente dos cinemas, tornando àqueles pedaços de ruas onde ficavam localizados os cines São Salvador e XV de Novembro (as atuais ruas Cel. José Carlos Moreira e Francisco Procópio), os espaços mais badalados de toda cidade. 

Em 1915 a luz elétrica chegou a Miracema, sendo aposentados os lampiões belgas que ficavam pendurados nos postes das ruas. O prédio da companhia de força e luz na rua Direita foi construído neste mesmo ano por Salvador Ciúffo. Nas construções realizadas por Salvador Ciúffo tinham como engenheiro o imigrante italiano Francisco Poly e haviam água encanada que era fornecida de seu sítio (que ficava localizado no atual bairro Vale do Cedro).

Em 1917, foi construído o Grupo Escolar Ferreira da Luz (GEFL), em terreno de herdeiros do Cel. Firmo de Araújo na rua Direita. A construção foi obra de iniciativa do imigrante italiano José Giudice e José Carlos Moreira com dinheiro originário dos bem-afortunados miracemenses (cultivadores de café, grandes comerciantes) e apoio do Dr. Nilo Peçanha. Na obra, aproveitaram e abriram ao lado do GEFL à atual rua Barroso de Carvalho, que na época foi denominada de Firmo Pereira de Araújo. 


(Em 1934, o prédio do GEFL foi afetado por enchente no ribeirão Santo Antônio, além de ter se tornado pequeno. Então novo GEFL foi construído na rua Matoso Maia. No prédio do antigo GEFL passou a funcionar a primeira Prefeitura de Miracema - foto ao lado. 
Em 1940, o então prefeito Altivo Linhares requereu para si o terreno do antigo GEFL e ex-prefeitura. Por volta de 1965, Altivo Linhares construiu no terreno os atuais prédios particulares de apartamentos.
A requisição do terreno, para uso particular, por  Altivo Linhares ocorreu logo após a sentença dada pelo então juiz José Navega Cretton na transformação das chamadas “terras dos santos” – tendo Dona Ermelinda Rodrigues Pereira doado para Santo Antônio 25 alqueires para a construção do perímetro da Freguesia, os proprietários de casa em Miracema não tinham a escritura de posse. Com a sentença dada pelo Juiz Cretton, os proprietários passaram a ter posse dos terrenos).  

Com o progresso obtido por Miracema, iniciou-se uma forte campanha para separar Miracema de Pádua. Os participantes desse movimento eram pessoas da zona urbana. Os moradores da zona rural, que eram a grande maioria da população, não viam com bons olhos o movimento porque achavam que os impostos sobre a agricultura iriam aumentar para poder custear o novo município e, sendo assim, eles e que acabariam por ter de pagar, enquanto a população urbana seria a maior beneficiária.

José Giudice foi vereador na sede do município (Pádua) e importante político defensor da causa separatista, além de bem-sucedido comerciante atacadista e comprador de café produzido em Miracema. Ele era também representante de casas bancárias. Sua casa de comércio localizava-se na rua Direita, onde recentemente funcionou a Caixa Econômica Federal. Foi por sua iniciativa que Miracema foi dotada de água potável, quartel e ginásio.Em 1918, Salvador Ciúffo construiu o Grande Hotel na rua Direita. Seu primeiro arrendatário, Arthur Braga, trocou o nome para Hotel Braga. Na época, um dos melhores hotéis da região.

Em 1920, os líderes da campanha separatista, José Carlos Moreira, José Giudice e Barroso de Carvalho pleitearam do presidente do Estado do Rio de Janeiro, Dr. Raul Moraes da Veiga, a emancipação político-administrativa de Miracema. O pedido foi rejeitado.

Em 1921, foi criado o distrito de Paraíso de Tobias, de áreas desmembradas dos distritos de Santo Antônio de Pádua e Miracema, e anexado ao município de Pádua. O nome do distrito originou-se da junção dos nomes da fazenda Paraíso com o nome do imigrante português Tobias Joaquim Rodrigues, que se casou com uma das filhas de Plácido Domingos de Barros e muito fez pelo progresso do lugar.

Em 1922, o deputado Raul do Nascimento, sobrinho do Cel. José Carlos Moreira, representando os anseios de seus conterrâneos, apresentou um projeto na ALERJ, propondo a emancipação político-administrativa de Miracema. Contudo, nada foi conseguido diante da ALERJ.

 

Neste ano, o professor José Paulino Alves Júnior, com o Instituto Afrânio Peixoto, concluiu a construção do Ginásio de Miracema (Colégio Miracemense), que mais tarde incorporou a Escola de Professores. Em 1924, o Colégio foi transferido para o professor Alberto Lontra e, em 1941, deste para o dr. Sílvio Campos Freire. Este educandário foi modelo por muitos anos, tendo recebido
alunos de toda parte do Brasil no seu internato.

Em 1925, Melchíades Cardoso fundou o jornal “Libertas” e voltou a escrever sobre a emancipação político-administrativa de Miracema.
 

Em 1926, as obras da sede da Sociedade Operária ficaram prontas. A construção foi idealizada por Francisco Bruno de Martino e Ricardo do Vale – imigrante português, empresário no ramo de olaria e socialista.

Ainda neste ano, Miguel Bruno de Martino, sucessor de Francisco Bruno de Martino, promoveu a importação de duzentos teares da Inglaterra, ampliou as instalações e implantou a seção de fiação, na Fábrica. A denominação da empresa passou a ser: Fiação e Tecelagem São Martino.

Também neste ano, foi construída a sede do Miracema Clube, com recursos oriundos dos bem-
afortunados miracemenses.
A construção do prédio teve como propósito oferecê-lo para a sede do futuro município de Miracema.
(propósito que acabou não sendo concretizado, pois outro prédio na rua Direita, o antigo Grupo escolar Dr. Ferreira da Luz, foi escolhido para ser a Prefeitura. O prédio do Miracema Clube, na rua Barroso de Carvalho, mais tarde, passou a ser a sede do Aero-Clube).

Dr. Américo Homem, Cel. José Carlos Moreira e Dr. Teófilo Junqueira (Banco Ribeiro Junqueira) reuniram-se e resolveram criar o Partido Separatista. Em 10 de janeiro de 1926 foi feita a primeira reunião para a fundação do Partido, com a participação de 159 miracemenses, que elegeram por aclamação a primeira Comissão Executiva da Campanha, composta por 30 membros. A presidência da reunião coube ao Dr. Teófilo e como secretário atuou o jornalista e poeta Barroso de Carvalho.

No dia 24 de fevereiro de 1926, a Causa Separatista ficou de luto. Faleceu Gilberto Barroso de Carvalho, a dois meses de completar 34 anos. Grande poeta, jornalista e principal orador da causa separatista. Foi ele o autor do bordão: “Miracema Águia Cativa que sofre o martírio dos que vivem sentindo asas nos ombros e grilhões nos pulsos”.

Em 4 de novembro de 1926, a Comissão Diretora da Campanha Separatista aprovou por unanimidade a candidatura do Cap. Antônio Ventura Coimbra Lopez para o cargo de prefeito de Pádua. A adesão de Ventura Lopez à causa separatista foi muito importante, devido ao fato dele ter sido um grande representante do meio rural, pois, até então, a campanha separatista não encontrava eco nesse setor, o mais populoso do distrito. Ventura Lopez era monarquista e grande fazendeiro produtor de café, proprietário da fazenda Santa Inês, localizada no 7º distrito de Pádua - Paraíso do Tobias. E Ventura Lopez se elegeu para um mandato de três anos, 1927 a 1929. Imediatamente após sua posse, ele criou a subprefeitura de Miracema e nomeou Virgílio Damasceno para o cargo. E muitas obras foram iniciadas em Miracema, como abertura de estradas, reurbanização do distrito e calçamentos de ruas. Aproveitando-se do cargo, Ventura Lopez solicitou ao presidente do estado, Feliciano Pires de Abreu Sodré, à emancipação de Miracema, porém não foi atendido.

Com a eleição de Dr. Manoel de Matos Duarte Silva, em 1927, para presidente do estado do Rio de Janeiro, cresceu as esperanças de concretização da emancipação de Miracema, pois o novo presidente do estado tinha laços de amizade com Ventura Lopez e se mostrou simpático à causa separatista.


Nas eleições de 1929, o candidato a prefeito de Pádua indicado pelo Partido Separatista perdeu as eleições para outro miracemense, Pedro da Silva Bastos, que era apoiado por uma coligação de partidos contrários à separação de Miracema, liderada por uma aliança entre os antigos e ferrenhos inimigos padilhistas e themistoclistas. A corrente padilhista em Miracema era comandada por Custódio de Araújo Padilha e tinha como seus líderes Josino Antônio de Barros (fazenda Liberdade), Francisco Dias Tostes, José Alvim Tostes, Joaquim Bernardino de Barros e muitos outros. A corrente themistoclista era comandada por Themístocles de Almeida e recebia apoio em Miracema de José da Silva Bastos. Os padilhistas e themistoclistas não desejavam a separação de Miracema, porque temiam que os impostos sobre a lavoura miracemense iriam aumentar para poder custear o novo município. Nesta época o preço do café havia caído de 30.000 réis, para 7.500 a arroba (“Crasch” de 1929). Assim que tomou posse, Pedro da Silva Bastos extinguiu a subprefeitura de Miracema.

 Em 18 de fevereiro de 1929, faleceu, aos 84 anos de idade, o Cel. José Carlos Moreira - importante político e ativo membro do movimento separatista. Desde os tempos que Miracema pertencia ao município de São Fidelis, José Carlos Moreira representou Miracema como vereador naquele município. Quando da instalação da Câmara de Vereadores de Pádua, em 1883, continuou a representar Miracema até 1890 - época que, com o advento da República, foram extintas as câmaras de vereadores (com a Constituição de 1891 tais câmaras foram restabelecidas). Ele, como funcionário da Secretaria de Finanças do estado do Rio de Janeiro, foi o tesoureiro de arrecadação da área disputada pelos governos de Minas Gerais e Rio de Janeiro: área do ribeirão Santo Antônio em direção a Minas Gerais. Foi também proprietário da Fazenda Lagoa Preta.

Ainda em 1929 foi iniciada a construção da sede da Sociedade Musical VII de Setembro, na Rua Francisco Procópio, na gestão de Christiano Alves Rodrigues. Projeto do construtor português José Antônio de Almeida. O cinema funcionou, enquanto esteve ativado, na parte térrea do sobrado. Na parte de cima funcionava o salão social, o “Primavera”, onde, em tempos outrora, foi palco de animados bailes de carnaval. A banda 7 de Setembro foi fundada em 15/11/1896.

Em 24 de outubro de 1930, Dr. Manoel de Matos Duarte da Silva foi deposto pela Revolução de 1930. O interventor federal Demócrito Barbosa assumiu interinamente o governo do estado por cinco dias e em 29 de outubro, Plínio de Castro Casado foi nomeado para o governo do estado. Líderes da campanha pela emancipação de Miracema foram ao palácio do Ingá para tratar desse assunto com o novo presidente e foram ameaçados de prisão.

Nessa ocasião, Capitão Altivo Mendes Linhares foi nomeado interventor no município de Pádua.
O que não foi bom para a causa separatista, pois Altivo era contrário à emancipação de Miracema. Ele alegava: a) razões políticas, pois não enxergava nenhum político em condições de comandar os destinos do novo município; e b) razões econômicas, pois os impostos necessários seriam cobrados da lavoura já sobrecarregada. E justificava dizendo que a campanha separatista não encontrava eco na população rural, que era a mais numerosa e mais independente do distrito, e, esta, é que acabaria por contribuir com os impostos para manter o novo município, em benefício daqueles que desfrutavam a vida no perímetro urbano. A ascenção política de Altivo deveu-se à sua simpatia pelo movimento tenentista: ele recebeu em sua fazenda o deputado federal Maurício de Lacerda, e desde 1924 acobertava tenentes foragidos da prisão, assim como doou dez contos de reis para a Revolução de 1930.

E Altivo Linhares como prefeito do município de Pádua realizou muitas obras no 2º distrito (Miracema), como a remodelação por completo das praças Dona Ermelinda e Da Matriz (obras de 1931), vários calçamentos de logradouros e a abertura da estrada Pádua-Miracema.

Em 1933, Altivo se afasta da prefeitura de Pádua para resolver problemas pessoais, mas indica o miracemense Cícero Bastos (filho do Cel. Pedro da Silva Bastos) para substituí-lo. Enquanto prefeito, Altivo dispensou os subsídios e expôs balanço de receitas e despesas diariamente na prefeitura.


Estatísticas de 1930 sobre Miracema: 30 mil habitantes; 1300 casas; 52 logradouros, cuja renda gerava 120 contos de réis; 800 alunos matriculados no Grupo Escolar Ferreira da Luz, afora os alunos matriculados no Ginásio e Escola Normal (Colégio Miracemense), duas escolas mantidas pela Prefeitura e outras escolas isoladas.

Mesmo contrariando a vontade de Altivo, o antigo Partido Separatista se reuniu e formou nova comissão executiva, composta por Antônio Ventura Lopes, Arthur Monteiro Ribeiro da Silva, Oscar Barroso Soares, Edgar Moreira, Armando Monteiro Ribeiro da Silva, Flávio Conde e Antônio Carlos Moreira, e muitos boletins foram distribuídos à população para mostrar os novos planos de ação e reacender o entusiasmo separatista.

Em 1934, foi aprovada a nova Constituição Federal e se extinguiu o regime de exceção instalado em 1930. Daí em diante vários comícios foram realizados em Miracema. A banda de música 15 de Novembro, regida pelo maestro Políbio Gonçalves, marcou presença nos comícios, tocando o hino “Miracema Cidade” (ou “Libertas” - letra de Clenório Bastos e música do maestro Alberto Gomes Peçanha). Muitos dos comícios naquela época eram realizados das sacadas dos sobrados da Rua Direita, com destaque para o sobrado do Chicrala Salim. Os oradores de mais destaque foram: Cônego José Tomaz de Aquino, Dirceu Cardoso, José Negle, Bruno de Martino, Amadeu José Rodriguez e as professoras Carmem Lemos e Julieta Damasceno.

Ainda neste ano, Altivo Linhares se rende às causas separatistas e entrega carta dirigida ao interventor Ary Parreiras para que o separatista Dirceu Cardoso a lesse no palácio, colocando-se, com pouco entusiasmo, a favor do movimento separatista.

Preocupado com o movimento no distrito de Miracema, o comandante Ary Parreiras, interventor no estado do Rio de Janeiro, enviou força militar comandada pelo aspirante Félix da Silva e o delegado dr. Getúlio Azeredo, que desembarcaram em Miracema em 21 de abril de 1934.

Com a chegada da força militar, Melquiades Cardoso, Dirceu Cardoso, José Negle e Bruno de Martino, se responsabilizaram pelos boletins que haviam sido espalhados em Miracema, com a distribuição de novo boletim:
 

“Aos Miracemenses: os abaixo assinados, para fins da garantia da ordem pública, com a grande convenção miracemense de amanhã, declaram-se solenemente responsáveis pelos boletins saídos ontem e por todas as ocorrências que por dele ventura resultarem.
Ficam assim isentos de responsabilidade os demais signatários dos citados Boletins.
Miracema, 21 de abril de 1934.
Ass.: Melquiades Cardoso, Dirceu Cardoso, José Negle e Bruno de Martino”

 

Tal atitude ganhou popularidade e eles passaram a ser chamados pelo povo de “Os Quatro Diabos”. Tal alcunha derivou de filme em cartaz na época no cinema XV de Novembro.

Em 22 de abril de 1934, o Partido Separatista, presidido por Antônio Ventura Lopes, fez convenção na Sociedade Musical XV de Novembro. O comandante da força militar e o delegado enviados por Ary Parreiras estiveram presentes na convenção. Composição da mesa na convenção: Cícero Bastos, professoras Julieta Damasceno e Carmem Lemos, Dr. Amadeu José Rodrigues, Artur Monteiro Ribeiro da Silva, Cônego Tomaz Aquino Menezes, Edgard Moreira, professor Alberto Lontra, Antônio Carlos Moreira e “Os Quatro Diabos” (Melquiades Cardoso, Bruno de Martino, Dirceu Cardoso e José Negle).
 

O delegado enviado por Ary Parreiras, Dr. Getúlio Azeredo, se contagiou com o clima e se postou claramente favorável à emancipação de Miracema.

Em 24 de abril de 1934, em nova convenção, foi nomeada uma comissão composta por 42 separatistas para participarem de audiência com o interventor do estado Almirante Ary Parreiras. Em 6 de maio de 1934, a comissão, liderada pelo Cap. Antônio Ventura Lopez, partiu para a capital do estado, sendo recebida em audiência no Palácio do Ingá no dia 8. Então, Ary Parreiras cedeu à pressão dos separatistas e pediu que fosse realizado plebiscito, e que o pedido de separação de Miracema fosse submetido à aprovação do Conselho Consultivo do Estado.

Na edição nº 20 do “Jornal de Pádua”, de 13 de maio de 1934, foi publicado artigo do Dr. Gambetta Perissé, no qual era dado como irreversível à emancipação de Miracema, mas que os demais distritos também pretendidos pelos separatistas não seriam cedidos:
 

“ ... que Miracema se separe sozinha ..., pretenderem, dizemos, o esfacelamento do Município, é que não podemos de modo algum aplaudir.”
... Somos sim pela separação de Miracema sem o desmembramento do Município.”

 

Pois no comício de 23 de outubro de 1929, a oradora Graziela de Carvalho (irmã de Barroso de Carvalho), mostrou que as pretensões dos separatistas eram amplas:
 

“ ...
Miracemenses!
Exultemos nesse momento que para nós deve ser decisivo! Ibitiguassú, Monte Alegre e Paraíso estão convosco, oferecendo seu insignificante punhado de argamassa para a construção do augusto edifício de nossa independência.
...”

 

O plebiscito de Miracema (sede do 2º distrito) foi realizado em 13 de julho de 1934. Um dia depois foi realizado o de Paraíso do Tobias (7º distrito) e no terceiro dia foi realizado o de Campelo (que pertencia ao 2º distrito).

Imediatamente após foi formada comissão para a entrega do resultado favorável do plebiscito e demais documentos pertinentes à emancipação ao Almirante Ary Parreiras. Membros da comissão: Ventura Lopez, Melquiades Cardoso, Dr. Otávio Tostes, professor Alberto Lontra, Waldemar Torres e José Negle.

No início de agosto de 1935, Ventura Lopez enviou telegrama a Ary Parreiras reiterando o pedido de separação de Miracema. No dia 13 de agosto Ary Parreiras respondeu:
 

“Acuso recebido vosso telegrama. Assuntos constantes vossas cartas serão tomadas devida consideração quando do processo respectivo chegue em minhas mãos o que se dará dentro de breves dias. Julgo desnecessário reafirmar o que já tenho mais de uma vez declarado sobre a matéria, isto é, se maioria população se manifestar pela separação, estará decretada.
Saudações
Ary Parreiras.”


Finalmente, em 7 de novembro 1935, foi promulgado o Decreto nº 3.401, que dispôs sobre a criação do município de Miracema, com a composição de dois distritos: 1º distrito (sede) - Miracema; e 2º distrito – Paraíso do Tobias (Campelo que estava na área de Miracema, a partir da emancipação passou para a área do município de Pádua). O Decreto nº 3.401 foi assinado no último dia de Ary Parreiras como interventor federal no estado do Rio.
O Almirante Ary Parreiras ocupou o referido cargo de 16 de novembro de 1931 a 7 de novembro de 1935.

Decreto nº 3.401, de 7 de novembro de 1935

O Interventor Federal no Estado do Rio de Janeiro, usando de suas atribuições que lhe confere o Art. 31, §§ 1º e 2º, do Decreto nº 10.398, de 11 de novembro de 1930, do Governo Provisório da República.

Considerando que no processo pertinente arquivado na Secretaria do Interior e Justiça, se verificaram as condições legais para a criação de um município:

DECRETA

Art. 1º - Fica criado o município de Miracema, composto dos atuais segundo e sétimo distritos de Santo Antônio de Pádua.

Art. 2º - A Secretaria do Interior e Justiça providenciará, em complemento ao processo já existente, a efetivação do prescrito pelo Art. 4º, e seus parágrafos da Lei número 3.316, de 30 de janeiro de 1929.

Art. 3º - A data de instalação do município ora criado, será marcada pelo Poder Legislativo, juntamente com a homologação do laudo a que se refere o art. 4º da Lei da Organização Municipal.

Art. 4º - Revogam-se as disposições em contrário.

Os Secretários de Estado do Interior e Justiça, das Finanças e da Produção, assim o tenham entendido e façam executar.
Ass.: Ary Parreiras
Rui Junqueira de Nasareth
Raul Quaresma de Moura
Rafael Gonçalves dos Santos Filho (responsável pelo expediente da Secretaria de Produção)

E o povo foi para a rua comemorar!

(O distrito de Flores foi criado em 18 de maio de 1936 (Lei Estadual nº 18). Em 31 de março de 1938, o distrito passou a denominar-se Venda das Flores (Decreto-Lei Estadual nº 392A).

No início de 1936, o Almirante Protógenes de Guimarães foi conduzido ao cargo de governador do estado do Rio de Janeiro, após as tumultuadas eleições realizadas em setembro e repetidas em novembro de 1935. Newton Cavalcanti foi nomeado interventor federal no estado do Rio de Janeiro neste mês, logo após a saída de Ary Parreiras, para garantir o pleito e a posse de Protógenes de Guimarães.

Em 10 de abril de 1936, Ventura Lopez, então presidente do Partido Separatista, recebeu telegrama do Palácio do Ingá, solicitando sua presença para combinar a nomeação de autoridades para o novo município. Alguns dias após, o líder da causa separatista Ventura Lopez foi recebido pelo governador do estado, Almirante Protógenes Guimarães, no Palácio do Ingá, para tratar da instalação e nomeação de autoridades do novo município.

O governador Protógenes Guimarães assumiu o compromisso de interferir junto às lideranças de seu governo na Assembléia Legislativa para, o mais rápido possível, definirem a data de instalação do novo município, e, que, inclusive, iria pessoalmente efetuar tal instalação.

Em 12 de abril de 1936, foi promulgada a Lei nº 9, que designou o dia 3 de maio de 1936 para a instalação do município.

Em 28 de abril de 1936, foi nomeado o Dr. Mário Pinheiro Motta para prefeito de Miracema.

Em 3 de maio de 1936, chegou à Miracema o governador do estado, Almirante Protógenes Guimarães, acompanhado do presidente da ALERJ, Dr. Arnaldo Tavares, e de outras autoridades estaduais, para instalar o município de Miracema.

Em 31/12/1943 Miracema foi elevada a categoria de comarca.

Com o golpe de estado dado por Getúlio Vargas e a implantação da ditadura em 10 de novembro de 1937 (Estado Novo), Altivo Linhares foi nomeado interventor em Miracema em 28 de novembro de 1937 por ato do interventor federal no Estado do Rio de Janeiro Ernani do Amaral Peixoto. As intervenções de Amaral Peixoto, no estado, e Altivo, no município, duraram até o fim do Estado Novo (1945) - tempo suficiente para que fossem construídas e consolidadas suas bases políticas.

Prefeitos de Miracema:

04/05/1936 - 02/08/1936 - Mário Pinheiro Motta
03/08/1936 - 10/10/1937 - Marcelino de Barros Tostes
11/10/1937 - 27/11/1937 - Nicolau Bruno
28/11/1937 - 11/11/1945 - Altivo Mendes Linhares
12/11/1945 - 21/11/1945 - Cibele Caldas Câmara Castro
22/11/1945 - 18/02/1946 - José Sena e Silva
19/02/1946 - 03/10/1946 - Melchíades Cardoso
24/10/1946 - 03/12/1946 - José Naegle
04/12/1946 - 06/03/1947 - Homero de Araújo Padilha
07/03/1947 - 10/10/1947 - Melchíades Cardoso
11/10/1947 - 30/10/1947 - Altivo Mendes Linhares
31/10/1947 - 11/12/1954 - Plínio Bastos de Barros
12/12/1954 - 22/12/1954 - Odilon Barroso Botelho
23/12/1954 - 30/01/1955 - Plínio Bastos de Barros
31/10/1955 - 30/01/1959 - Moacyr Junqueira
31/01/1959 - 30/01/1963 - Altivo Mendes Linhares
31/01/1963 - 30/01/1967 - Jamil Cardoso
31/01/1967 - 29/10/1970 - José de Carvalho
31/01/1970 - 30/11/1971 - Salim Bou-Issa
31/01/1971 - 31/01/1973 - Nilo Rodrigues Lomba
31/01/1973 - 31/01/1977 - Olavo Monteiro de Barros
01/02/1977 - 31/03/1983 - Salim Bou-Issa
01/04/1983 - 31/12/1988 - Ivany Samel
01/01/1989 - 31/12/1992 - Jairo Barroso Tostes
01/01/1993 - 31/12/1996 - Ivany Samel
01/01/1997 - 31/12/2000 - Gutemberg Medeiros Damasceno
01/01/2001 - 31/12/2004 - Gutemberg Medeiros Damasceno
01/01/2005 - 31/12/2008 - Carlos Roberto de Freitas Medeiros
01/01/2009 - 31/12/2012 - Ivany Samel
01/01/2013 - 31/12/2016 - Juedyr Orsay
01/01/2017 - 31/12/2020 - Clóvis Tostes de Barros

[1] Idéias em ordenamento, cidades em formação: a produção da rede urbana na província do Rio de Janeiro - Maria Isabel de Jesus Chrysostomo – UFRJ 2006[2] Página 495 dos Sertões dos Puris – Heitor de Bustamante[3] Dicionário das Famílias Brasileiras, de C. Bueno/C. Barata

Atualização em 09/07/2016 para inclusão de informações provenientes do livro "Odisseias brasileiras (a história da família Rodrigues Pereira do Vale)", de Ruy Barreto, editora Italiamiga. 

6 comentários:

Angeline disse...

Hélcio,

O que dizer dessa obra prima? Confesso, que o melhor que posso falar é que o lugar desse texto é no site oficial do município...

Plagiando um comentário seu, no saudoso "Baú do Marcelino", é uma "oxigenação para o nosso cerebelo".

Como miracemense, só posso dizer: MUITO OBRIGADA!

Posso divulgar no blog? blogovagalume.blogspot.com

Ronaldo Honorio disse...

Hélcio, cheguei aqui na busca por dados esparsos, iniciais, dos meus avôs paternos que, assim como meu pai, nasceram em Miracema; estou para conhecer a cidade para pesquisa genealógica, mas primeiro quero coletar o que eu puder e traçar um roteiro para a pesquisa. Seu blog é mesmo fantástico, seu trabalho é primoroso, e estou seguindo-te a partir de então. Num outro post, sobre descendência italianas, fiquei curioso do porque não ter ali os sobrenomes Honorato ou Honorio, que alguns afro-descendentes, como eu, acabaram por receber no sobrenome por motivos históricos diversos e complexos. Fiquei entorpecido com tantos dados aqui, estou lendo e desde já lhe dou meus parabéns por tão dedicado trabalho.

Abraos Fraternos.

Ronaldo Honorio

Hélcio Granato Menezes disse...

Caro Ronaldo,
Suas palavras me deixaram lisonjeado e deram mais força para que eu prossiga nesta caminhada.
Quanto ao fato da família Honorato ou Honorio não constar do post Imigração Italiana em Miracema, não sei explicar. Mas, vou incluí-la naquele post a partir do seu depoimento e espero que você consiga encontrar, nas suas pesquisas genealógicas, a origem desta família na Itália, para que os dados fiquem completos.
Muito obrigado.
Abraços fraternos,
Helcio

Waldinei Almeida Prado disse...

helcio, sua obra é realmente maravilhosa, fiquei impressionado com tanta informação sobre nossa cidade e me despertou interesse em saber sobre o sobre-nome PRADO e ALMEIDA, vc sabe se tem algum desses Italianos que aqui chegaram com esse sobre-nome? Obrigado!!

Anônimo disse...

MARAVILHOSA ESTA OBRA...GOSTARIA MUITO DE SABER DA ORIGEM E DESCENDENCIA DA FAMILIA POEZ.
OBRIGADO.

Paulo César de Faria Junior disse...

Linda a cidade de Miracema como também sua história. Em 1963 visitei está cidade e conheci Maria José Carneiro por quem me apaixonei.Tinha eu nesta época 18 anos de idade.Infelizmente não ficamos juntos e tempos depois nos separamos para nunca mais nos vermos.Eu morava na cidade de Niteroi.Tinha naquela época sendo inaugurada a pratinho com a fonte luminosa.Ela morava na rua da laje se não me falha a memória.Foi um amor puro e até hoje eu com 72 anos trago em meu coração a sua angelical lembrança um amor para ser lembrado até o fim da vida.