São 85 fotos, sendo 77 do sagui-da-serra-escuro, Callithrix aurita (É. Geoffroy Saint-Hilaire, 1812), dispostas nas pranchas desta página, tiradas em 17 oportunidades na natureza em Miracema: 08/09/12, 01/10/14, 07/12/14, 07/01/15, 28/05/15, 01/02/16, 20/05/16, 29/08/16, 30/03/17, 12/09/19, 02/05/21, 03/10/23, 28//04/24, 30/08/24, 01/10/24, 02/10/24 e 15/04/25.
Avistado por diversas vezes na APA Miracema, RVS da Ventania, Mata do Conde e arredores. Noticiários de jornais informam a presença do sagui-da-serra-escuro em outras partes de Miracema:
- Sagui recebe descarga elétrica e é socorrido em Miracema (SF Notícias);
A altitude média de Miracema é 137 m acima do nível do mar, tendo na Serra de Santo Antônio (ou Serra da Ventania) 860 m e no Pontão do Sinal 930 m. A Serra de Santo Antônio faz parte da APA Miracema/RVS da Ventania (6.848,57 ha, sendo 2.234,35 ha RVS) e o Pontão do Sinal está localizado no 2º distrito, Paraiso do Tobias. Segundo levantamento realizado em 2024 por Fundação SOS Mata Atlântica e INPE (Atlas Municípios - leva em consideração somente os fragmentos bem conservados acima de três ha), Miracema tem 2.988 ha, ou 9,85% do território, de remanescentes da Mata Atlântica - Floresta Estacional Semidecidual.
A seguir, nas pranchas com fotos, tem sagui-da-serra-escuro (foto 71) sendo predado pela maior coruja do Brasil, Jacurutu, Bubo virginianus - possivelmente, este registro possa ser de um novo item alimentar deste predador. Assim como tem, infelizmente, saguis híbridos, Callithrix sp, (fotos 72 a 79) e sagui-da-serra-escuro, Callithrix aurita, aparentemente doente (fotos 80, 81 e 82).
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| Área de ocorrência do C. aurita (SALVE-ICMBio)* |
O sagui-da-serra-escuro, Callithrix aurita (É. Geoffroy Saint-Hilaire, 1812), é um pequeno primata da família Callitrichidae, endêmico da Mata Atlântica do Sudeste do Brasil. Restrito à área interligada entre Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, com a extensão de ocorrência da espécie de 183.859 km², segundo cálculo realizado pelo ICMBio (*), o que corresponde a 20,93% do território destes três estados (**)
Ainda segundo o ICMBio, o cálculo da área de ocupação da espécie é de 1.612 km² (*), o que corresponde a 2,70% dos remanescentes da Mata Atlântica dos três estados. (***).
Também chamado de sagui-caveirinha, possue entre 300 e 450g, tamanho aproximado do corpo de 20 cm e cauda com 31 cm (Reis et al., 2015).
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| Geralmente coroa, mãos e pés são castanhos |
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| 1-Filhote; 2 e 3-Jovem; 4-Subadulto; 5-Adulto |
O exemplar de espécie pura apresenta coroa marrom, mãos castanho-cinzentas e pés castanhos, além das demais características supracitadas. Variações neste padrão sugerem adaptações evolutivas para camuflagem, polimorfismo ou possível hibridização com espécies congêneres invasoras. Principais invasores da área de distribuição do C. aurita: sagui-de-tufos-pretos, Callithrix penicillata (É. Geoffroy Saint-Hilaire, 1812), e sagui-de-tufos-brancos, Callithrix jacchus (Linnaeus, 1758).
| 1 e 3 - C. sp.(C. penincillata x C. aurita); 2 e 4 - C. aurita |
A pelagem híbrida pode mimetizar o C. aurita, mas diferenças morfológicas, especialmente cranianas, distinguem o híbrido, por exemplo, as imagens à esquerda de híbrido (C. penicillata × C. aurita) e da espécie pura.
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| Alimentando-se no Angico |
Se alimenta de flores, frutos, fungos encontrados em bambu, sementes, invertebrados e exsudatos vegetais, sendo especializado morfologicamente para se alimentar deste item (Ferrari; Corrêa; Coutinho, 1996).
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| Alimentando-se no Guapuruvu |
Em geral, o sagui-da-serra-escuro vive em grupos de 2 a 7 indivíduos (conforme observado em Miracema), com apenas uma fêmea dominante. Os demais membros do grupo ajudam a mãe a cuidar dos mais novos, como carregando-os no dorso (Santos & Martins, 2000).
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| Nascem gêmeos |
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| Cauda: leme e equilíbrio |
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| Ajuda aos mais novos |
Apresenta um sistema social complexo que geralmente é caracterizado pela monogamia. O período de gestação é de 5 meses. Geralmente nascem gêmeos (Stevenson & Rylands, 1988).
Corre risco de extinção, devido a uma redução populacional decorrente da perda e fragmentação de habitat e principalmente à competição e hibridação com espécies congêneres invasoras, que estão ampliando sua distribuição.
Estatísticas e observações na IUCN 2025-2, em 28/02/2026:
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| Alimentando-se no bambuzal |
a) População: 10.000 - 11.000 indivíduos maduros;
b) Tendência Populacional: diminuindo;
c) Duração da Geração: 6 anos;
d) Altitude do Habitat: 80 a 1.375 m;
e) Tipo do Habitat - Floresta: declíneo contínuo na área, extensão e/ou qualidade do habitat; e
f) Categoria e Critério da Lista Vermelha da IUCN - e Avaliação: A2cde em perigo de extinção, versão 3.1, em 26/01/2015, publicado em 2021.
Onde:
A = diminuição no número de indivíduos;
2 = redução de mais de 50% ocorrida nos últimos 18 anos (três gerações);
c = declíneo na área/habitat (como principal causa a destruição e fragmentação da Mata Atlântica);
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| Forrageando no cupinzeiro |
d = redução baseada em potenciais de exploração (como tráfico de espécies congêneres de outras regiões para serem vendidas como pet, mas acabam fugindo ou sendo soltas no habitat do C. aurita); e
e = redução baseada na hibridização com espécies congêneres invasoras, patógenes, competidores ou parasitas.
Portanto, a ameaça ao Callithrix aurita foi categorizada pela IUCN em EN - Em Perigo ("Endangered").
Incluído na Lista dos 25 Primatas Mais Ameaçados do Mundo ("Primates in Peril: The World's 25 Most Endangered Primates").
_________________________________________
(*) SALVE - ICMBio, 17/11/2025 - Considerando para o cálculo a metodologia proposta pela IUCN 2022, a estimativa da Extensão de Ocorrência - EOO é de 183.859 km² (calculada por meio do Mínimo Polígono Convexo - MPC), enquanto a estimativa da Área de Ocupação - AOO é de 1.612 km².
(**) IBGE - Território de MG: 586.513,98 km²; RJ: 43.751,43 km²; e SP: 248.219,49 km².
(***) Altlas dos Remanescentes da Mata Atlântica 2023-2024 (SOS Mata Atlântica e INPE) - Remanescentes em 2024: MG: 27.974,08 km²; RJ: 8.209,66 km²; e SP: 23.430,81 km².
- “Ameaçado" (EN - Em Perigo): Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN 2025-2;
- "Ameaçado" (EN - Em Perigo): Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do ICMBio 2018 ;
- “Ameaçado" (EN - Em Perigo): Lista Vermelha de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção do MMA 2022 ;
- "Ameaçado" (EN - Em Perigo): Lista de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção no Estado de Minas Gerais - Deliberação Normativa COPAM nº 147, de 30/04/2010;
- "Ameaçado" (VU - Vulnerável): Lista Vermelha da Fauna Ameaçada de Extinção no Estado do Rio de Janeiro - Portaria SEMA-RJ nº 1, de 04/06/1998;
- "Ameaçado" (EN - Em Perigo): Espécies da Fauna Silvestre Ameaçadas de Extição no Estado de São Paulo - Decreto nº 60.133, de 07/02/2014.
Nove municípios editaram leis declarando o sagui-da-serra-escuro, Callithrix aurita, Patrimônio da Biodiversidade entre outras providências:
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Município |
Estado |
Lei |
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Nova Friburgo |
RJ |
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Petrópolis |
RJ |
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Viçosa |
MG |
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Rio Doce |
MG |
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Ponte Nova |
MG |
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Santa Cruz do Escalvado |
MG |
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Natividade |
RJ |
1.136, de 13/07/2022 |
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Teresópolis |
RJ |
4.349, de 30/05/2023 |
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Cristina |
MG |
2.306, de 07/03/2024 |
Imagens protegidas pela Lei de Direito Autoral (Lei Nº 9.610, de 1998) - proíbe cópia e reprodução sem autorização expressa do autor.
Mammalia
01 Primates
01.01 Callithrichidae
19, 20 e 21
22, 23, 24 e 25
26 e 27
28, 29, 30, 31, 32 e 33
34, 35 e 3637, 38 e 39
01.01.01 Sagui-da-serra-escuro, Callithrix aurita (É. Geoffroy Saint Hilaire, 1812).
1, 2, 3, 4, 5 e 6 - APA Miracema, 08/09/12;
7 - APA Miracema, 07/01/15. Jovenzinho;
8 - APA Miracema, 08/09/12. No caule que o C. aurita está apoiado tem marca de extração de exsudatos;
9 - APA Miracema/RVS da Ventania, 01/10/24. Alimentando-se de goma/látex. O tronco da árvore está todo perfurado e com a casca retirada abaixo da perfuração (escarificação). A árvore parece ser uma jovem Guapuruvu, Schizolobium parahyba, que é comum no RVS da Ventania. Ver foto 84 abaixo. Talvez, este seja um novo registro de leguminosa gomífera que o C. aurita utiliza para se alimentar;
13, 14, 15, 16, 17 e 18 - Mata do Conde, 03/10/23. Parece ser a fêmea dominante do grupo, que era pequeno (3 ou 4 indivíduos). De pelagem espessa, mãos, pés e faixa no topo da cabeça (coroa) escuros. O único indício de ruivo/castanho vizível nas fotos é no início dos tufos brancos. Seriam adaptações evolutivas para camuflagem, polimorfismo ou possível hibridização? Não imaginava encontrar um exemplar como este em fragmento de mata pequeno e na mais baixa altitude do município, cerca de 100 m;
19, 20 e 21 - APA Miracema/RVS da Ventania, 01/10/24;
22 - Conde, 02/10/24. Com goma manipulada na mão direita, extraída de um Angico (Anadenanthera), ou um broto coletado. Ver foto 85 abaixo;
24 - APA Miracema, 08/09/12. No caule que o C. aurita está apoiado tem marca de extração de exsudatos;
25 - Mata do Conde, 12/09/19;
26 e 27 - RVS da Ventania, 28/05/15;
28, 29, 30, 31, 32, 33, 34, 35 e 36 - Conde, 02/10/24. Na fiação elétrica e árvore na entrada da ponte que dá acesso para dentro da fazenda do Conde;
37 e 38 - APA Miracema/RVS da Ventania, 30/03/17. Filhote;
39 - APA Miracema, 07/01/15. Jovenzinho;
40, 41, 42 e 43
67, 68, 69 e 70
01.01.01 Sagui-da-serra-escuro, Callithrix aurita (É. Geoffroy Saint Hilaire, 1812).
40 - Mata do Conde, 01/10/14. Jovem;
41 - Mata do Conde, 20/05/16;
42 - APA Miracema, 08/09/12;
43 - APA Miracema/RVS da Ventania, 01/10/24;
44, 45 e 46 - APA Miracema/RVS da Ventania, 01/10/24. Jovenzinho. 44 forrageando no cupinzeiro;
47, 48, 49, 50, 51, 52 e 53 - Mata do Conde, 13/04/25;
54, 55, 56, 57, 58, 59, 60, 61 e 62 - APA Miracema/RVS da Ventania, 28/04/24. Faziam parte de um grupo. A maioria de jovenzinhos, os das fotos 57 e 59 parecem ser gêmeos e a da foto 60 a fêmea dominante.
63 - APA MiracemaRVS da Ventania, 01/10/24. Alimentando-se no bambuzal;
64 - APA Miracema, 07/12/14;
65 e 66 - APA MiracemaRVS da Ventania, 01/10/24. Alimentando-se no bambuzal;
67 e 68 - Mata do Conde, 12/09/19. É o jovenzinho da foto 67 que está nas costas do da foto 68; e
69 e 70 - APA Miracema/RVS da Ventania, 29/08/16.
71
01.01.01 Sagui-da-serra-escuro, Callithrix aurita (É. Geoffroy Saint Hilaire, 1812), sendo predado pela maior coruja brasileira, Jacurutu (Bubo virginianus). Possivelmente, este registro possa ser de um novo item alimentar deste predador.
Foto tirada em 02/05/2021 na APA Miracema, região do Barreiro.
72, 73, 74, 75, 76, 77, 78 e 79
01.01.01 Sagui-da-serra-escuro, Callithrix aurita (É. Geoffroy Saint Hilaire, 1812). Callithrix sp. Em 01/02/16. Grupo de híbridos (Callithrix sp.) encontrado em um fragmento de mata em Miracemana (coordenada: 21º 23' 02'' S, 42º 13' 27'' W). Parece hibridação de C. aurita com C. penicillata.
A introdução pelo homem do sagui-de-tufos-brancos (Callithrix jacchus), ou do sagui-de-tufos-pretos (Callithrix penicillata), em um fragmento de mata de Miracema tornou-se uma grande ameaça para a conservação do sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita), que vem a ser,a espécie nativa de primata que vive na nossa região. A associação entre essas espécies tem gerado mudanças comportamentais do C. aurita, que hibrida com os saguis exóticos o que faz sua população declinar mais ainda, pois nascem apenas híbridos e a população ameaçada não se renova.
A distribuição original do Callithrix jacchus é a região Nordeste do Brasil, acima do Rio São Francisco (Mata Atlântica nas áreas litorâneas e de brejos de altitudes, e Caatinga), e do Callithrix penicillata é no Cerrado brasileiro. Estes saguis são considerados espécies exóticas invasoras na nossa região, pois estão fora de sua área original. Por aqui, eles estabelecem população e afetam os animais e ecossistema nativos da região.
Dessa forma, Miracema necessita da ajuda de instituições ambientais nacionais ou estaduais para controlar as populações destes saguis exóticos, que vem a ser um dos motivos do C. aurita encontrar-se ameaçado de extinção.
Obs.: os saguis híbridos são fáceis de capturar para esterilização porque foram acostumados com alimentos pelos frequentadores do clube onde o fragmento de mata está localizado.
80, 81 e 82
01.01.01 Sagui-da-serra-escuro, Callithrix aurita (É. Geoffroy Saint Hilaire, 1812).
Foto tirada em 07/01/15 na APA Miracema, coordenada -21.333004, -42.159754.
Aparentemente doente, com tumores na testa. Tal foto foi enviada para a FIOCRUZ através do aplicativo SISS-Geo (disponível em smartphones e na web, para o monitoramento da saúde dos animais silvestres em ambientes naturais, rurais e urbanos).
83 e 84
01.01.01 Sagui-da-serra-escuro, Callithrix aurita (É. Geoffroy Saint Hilaire, 1812).
APA Miracema/RVS da Ventania, 01/10/24. Foto da jovem árvore, Guapuruvu, Schizolobium parahyba, da qual o C. aurita extraía goma/látex, conforme demonstrado na foto 9. Esta espécie de árvore é comum no RVS da Ventania. Talvez, este seja um novo registro de leguminosa gomífera que o C. aurita utiliza para se alimentar.
85
01.01.01 Sagui-da-serra-escuro, Callithrix aurita (É. Geoffroy Saint Hilaire, 1812).
Conde, 02/10/24. Árvore (Angico, Anadenanthera) na qual foi feita a foto do C. aurita com uma goma na mão direita, ou um broto coletado, conforme demonstrado na foto 22.











































Um comentário:
Aqui no parque ecológico , sempre observamos um grupo muito grande!
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